Será um Final Feliz
| Debruço-me na varanda, o que vejo? O Tejo, agora mais perto. No ar à cheira aquelas noites quentes em que o ventinho aconchega... e apetece correr por aí. Talvez não tenha tido tempo para fogueiras, mas tive tempo para as estrelas, para quase as contar. Como um dia disse que ía fazer. Até agora não apareceu ninguém que era suposto. Não há portas por fechar, não há janelas por abrir. E é por isso que estou tão feliz pelo que já sou, parte de tudo. Há sinos, sempre a tocar para me lembrar que o tempo também passa, ele nele voam as gaivotas e os papagaios que larguei na praia. Faria sentido sair. Então desço a rua, e subo as ruelas e desço a passo de turista tentando levar tudo. Porque daqui também se levam saudades. Hoje é o meu último dia em Lisboa. Para onde vou? Atrás de um sonho? De um abraço talvez, de dois ou três. Ah eu, não faço parte de nada, mas também não tinha intenção de ser da terra onde nasci. Porque sou mais de onde cresci. Meto a mala com o passaporte, a máquina fotográfica e meia dúzia de desejos... "desta vez é que há de ser", tudo na bagageira do carro. E lá vou eu... |
Bem podes esperar que a vida te traga de volta a tua essência, mas ela nunca se foi embora porque ela está em ti, dá-lhe oportunidade de se emancipar.
De olhos bem fechados ela está lá no fundo de ti, e vez as coisas melhores em que ela esteve presente, nem que seja só para dizer que ainda há amor, porque lá mesmo dentro ainda está quem sempre esteve. O teu amor. Foi assim comigo, porque a distância faz nos ver quem está por cá não estando, sente-se.
Foi este tempo todo sem ler tudo o que escrevi para tràs por saber que foi tudo uma auto-destruição de um grande, um amor que ainda o é, e sempre o será.
É por isso que te amo tanto herói.
E Eu dançaria contigo outra vez,
E Eu correria sem olhar para trás,
E Eu choraria se te visse chorar...
E Não vou fugir nunca mais.
Teresa Raquel.

