16.1.06

Será um Final Feliz

Debruço-me na varanda, o que vejo? O Tejo, agora mais perto. No ar à cheira aquelas noites quentes em que o ventinho aconchega... e apetece correr por aí.
Talvez não tenha tido tempo para fogueiras, mas tive tempo para as estrelas, para quase as contar. Como um dia disse que ía fazer.
Até agora não apareceu ninguém que era suposto. Não há portas por fechar, não há janelas por abrir. E é por isso que estou tão feliz pelo que já sou, parte de tudo.
Há sinos, sempre a tocar para me lembrar que o tempo também passa, ele nele voam as gaivotas e os papagaios que larguei na praia.
Faria sentido sair. Então desço a rua, e subo as ruelas e desço a passo de turista tentando levar tudo. Porque daqui também se levam saudades.
Hoje é o meu último dia em Lisboa.
Para onde vou? Atrás de um sonho? De um abraço talvez, de dois ou três.
Ah eu, não faço parte de nada, mas também não tinha intenção de ser da terra onde nasci.
Porque sou mais de onde cresci.

Meto a mala com o passaporte, a máquina fotográfica e meia dúzia de desejos... "desta vez é que há de ser", tudo na bagageira do carro. E lá vou eu...

Bem podes esperar que a vida te traga de volta a tua essência, mas ela nunca se foi embora porque ela está em ti, dá-lhe oportunidade de se emancipar.

De olhos bem fechados ela está lá no fundo de ti, e vez as coisas melhores em que ela esteve presente, nem que seja só para dizer que ainda há amor, porque lá mesmo dentro ainda está quem sempre esteve. O teu amor. Foi assim comigo, porque a distância faz nos ver quem está por cá não estando, sente-se.

Foi este tempo todo sem ler tudo o que escrevi para tràs por saber que foi tudo uma auto-destruição de um grande, um amor que ainda o é, e sempre o será.

É por isso que te amo tanto herói.

E Eu dançaria contigo outra vez,

E Eu correria sem olhar para trás,

E Eu choraria se te visse chorar...

E Não vou fugir nunca mais.

Teresa Raquel.

20.11.05

"As pessoas já não te desiludem, tu não esperas outra koisa delas" BR

18.11.05

O final da dékada...

Se não fosse isto, seria outra koisa kalker.

Apanhem os laços se kizerem...

Eu já os soltei.

30.9.05

Suspiros e pequenos gritos

Aquele Instituto, algumas capas negras, algumas caras pintadas, e os mesmos do costume. Desapareceram os tais que antes abraçavam por não ter mais quem abraçar. Deixaram um aroma a pinhal...
Está um calor que eu nem sempre consigo sentir, só chega para quem anda perdido em tantos corredores circulares, que nos obrigam a cruzar muitas vezes com quem menos esperamos, com quem não queremos. Ali o tempo parou, todos os relógios como numa comunhão de amizade, decidiram fazer greve. Para os que já notaram, as horas são mais vagarosas que o habitual, para os que ainda não deram conta o tempo é breve, como o início de um novo ciclo. Mas, para esses também hão de chegar as primeiras chuvas e depois o Inverno, longo e frio. Apareceram por curtos momentos, agasalhos. Mas não serão resistentes o suficiente para suportar a maior geada.
Hum, o Sol vai custar tanto a penetrar por aquelas janelas tão escassas. Tantas paredes, quase uma prisão, sem cores.
Das aulas aos intervalos, do croissante quentinho à sandocha de atum, da calma à euforia dos trabalhos, do jardim à biblioteca, o mesmo sentimento de tristeza. Fazemos parte de um ciclo onde as férias são a fase mais diminuta, e estamos nele como os animais que se devoram sem piedade. Pessoas que se devoram, por uma nota, por uma imagem, por uma inveja.
Eu já sem cérebro, sem braços, sem amor, vou ainda andado por força de um coração muito magoado, chorando e rastejando por aquele chão, que já foi pisado em tempos mais aurios, por sorrisos que não passavam de um sonho, de uma miragem, uma ilusão.
Foi assim que acordei. Nos braços de um padrinho que me acordou para o pesadelo do mundo, que é aquele. Onde caminho sem direcção. Estou sozinha, tal como cheguei. E nada do que antes conquistei perdurou, tudo se fumou, naquele tempo quebrado.
Uma escolha de vida que não foi minha, mas uma decisão que por ser minha, e só minha, me mata diariamente, com suicídios matinais, que mais do que acordar antes das 6, são a consciência de tudo o que não tenho, do amor que não vivo.
O sono e a fome. A cantina, as filas intermináveis, a mesma carne e o mesmo arroz, lá fora o vento, de uma rua também longa que me atravessa em desespero. E corro, para chegar a casa, que também fria e escura, me aumenta a agonia, a melancolia e o desespero.
A cama onde me deito, grande demais, como o tempo que espero para te ver. Já não há esperança, apenas uma cara distorcida, uma luz de lâmpada desfocada por umas lágrimas aglomeradas e um sufoco encarcerado na garganta, que por vezes se solta na Danka, como um grito de criança que ainda não sabe pelo que grita.

15.9.05

Flash

Pouco se ouvia além das gaivotas ao fim da tarde e da pequena ondulação causada pelo pescador que vinha remando até terra antes que a chuva chegásse.

A meia luz dois corpos suados, o teu cheiro agora meu.

Uma menina de blusa rosa, calsas verdes com florzinhas amarelas a sorrir por poder dar de comer aos peixos do aquário Vasco da Gama.

O seu cabelo ao vento, numa praia quente mas coberta de nuvens. A areia branca e negra. Um cheirinho a churrasco.

Um banho de àgua quente de um garrafão que passou o dia no telhado da casa.

Uma peça de teatro muito aplaudida, por quem antes me virava a cara.

Três amigas que ficam ligadas para sempre por uma estrela.

Um gajo de branco, a noite inteira a tentar dançar comigo.

As mesmas flores que antes arrancava para oferecer à minha mãe todas as tardes.

Alguém que me oferece a minha primeira tela para pintar a óleo.

Não eu não sinto nada, perto das bandeirinhas da Expo!

Um discussão dentro de um carro sobre uma negativa que recebi.

A primeira vez que ligo um carro...

Não era suposto ter lógica, apenas valor. Momentos tão diferentes da minha vida, e todos importantes.

A vida não chega

Dois lírios sobre a mesa
Uma janela aberta sobre o mar
Trago em mim uma certeza
De quem espera pelo teu voltar

Um cheirinho a café
Fotografias caídas pelo chão
E no ar uma canção
Traz-me uma recordação

Tenho um poema escrito
Guardado num lugar perto do mar
Tenho o olhar no infinito
E suspiro devagar

O tempo aqui parou
Desde que te foste embora
Só a saudade ficou
Já não aguento tanta demora

Tenho tanto por dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E tanto pata te dar
Que a vida não chega

Tenho tanto por dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E sei que vou te amar
Para a eternidade…

Viviane

14.9.05

Desculpas.

O céu cinzento, sem alegria nem esperança. O rodolfo na paragem à espera do 31... e os autocarros vão passando, chegam os suspiros. Atravessam duas raparigas a correr numa via sem passadeira para poderem entrar. Mas o autocarro arranca ainda com mais pressa.Molhadas ficam ali, uma senta-se ao lado do rodolfo. Ele olha já zangado. O banco era só dele. Abre o jornal da bola, apesar de já o saber de cor. A sua necessidade de implicar fa-lo abrir bem os braços, tapando a vista à rapariga. Ela olha para a sua amiga e riem-se, sem precisar de falar a cerca do assunto. A rapariga vem de sabrinas brancas, encharcadas. O seu cabelo é longo e encaracolado. A sua amiga suspira, vão ter de esperar mais um bom pedaço em hora de ponta. O tempo não ajuda...
Chaga também um casal de velhotes, cada um mais vesgo que o outro, quase que tropeçam na bengala que pouco os ajuda com a chuva. Desorientados, perguntam ao redolfo onde estão. Ele continua a fazer de contas que lê o jornal. As raparigas indignidas ajudam os velhotes que também vão apanhar o 31. Vão todos para moscavide.

Dois dias depois...

Chego à Universidade, vejo o Rodolfo a rir-se com rapazes seus amigos. Fita-me com aquele olhar de quem me vai matar. O Rodolfo não gosta de mulheres, porque? Passa uma gaja que lhe sorri e diz olá, ele responde com um movimento estranho nas sobrancelhas...

Nove anos antes...

Num recreio de escola, Rodolfo muito amigo de duas meninas. Vão andar de baloiços, empurram o Rodolfo com tanta força que ele acaba por cair a frente e apanha com o baloiço na cabeça.É levado para o hospital em estado inconsciente. Ficou sem cabelo nessa zona até hoje... E todas as manhãs olha-se ao espelho e fica enfurecido com todo o tipo de mulheres...

Mas, foram as raparigas da paragem que o empurraram.

10.9.05

Hora da Birra

"Oh when I first saw ya,
I already knew
There was something inside of you
Something I thought I'd never find
Angel of Mine

I look at you, looking at me
Now I know why they say the best things are free
Gonna love you till the end of time
Angel of Mine

What you mean to me you'll never know
Deep inside I need to show
You came into my life sent from above
Never did I dream such a perfect love
And I'll adore you till the end of time
Angel of Mine

ooh, angel, yeah mmm

Nothing means more to me the more we share
The world in this whole world can ever compare
Last night awake your moves are still on my mind
Angel, angel of Mine

What you mean to me you'll never know
Deep inside I need to show
You came into my life sent from above
Never did I dream such a perfect love
And I'll adore you till the end of time
Angel of Mine (of mine)

ooh, angel of, angel (angel)

I never knew I could feel each moment, as everyone new
Every breath I take, or vow that I make
I wanna share it with you

You came into my life, sent from above
(up above baby baby baby)
Never did I dream of such perfect love (a perfect love)
And I'll adore you till the end of time
Angel of Mine"

Eternal

Já era bem noite...quando dou por mim sózinha caminhar pela praia de Porto Santo, as minhas amigas tinham discutido, todos nós temos as nossas birras, mas era infantilidade a mais... Sentei-me na areia perto do bar da poncha, e começou a tocar esta música. Talvez tenha encontrado parte de mim ali, mas como eclipse, perdi-a novamente. Eu nunca mais serei aquela menina que um dia naive acreditou que todos querem ser nossos bons amigos.
Tanto tempo de boas vivências, longe das pessoas que me deprimiram de mais. A calma foi chegando, e a indiferença pelo regressar. Talvez por vezes de mais ter sido obrigada a voltar ou a partir...
Tantas pessoas novas conheci. Tantas vidas que me fizeram pensar sobre tantas loucuras que cometi e sobre as que não cheguei a cometer. Mas naquele momento, aquela música lembrou-me alguém que ainda estava no meu coração. Alguém que por demasiada perfeição, demasiada dedicação...tentei apagar.
E tudo se junta, quando dou por mim numa vidente para me indicar o futuro. Encontro finalmente o resumo de todo o conhecimento esotérico que fui adequirindo, e descubro o grau de sensação para além da minha observação. E também uma justificação para a busca insessante de um homem que me proteja, e que não me deixe partir... Que dê pela minha ausência, o pai que eu não tive, que aos 8 anos me deixou partir, sem me ligar vez alguma.
E foi essa luta que faltou a muitos que ficaram pelo caminho... não lutaram para eu ficar.
Estou na hora da minha birra, e tenho alguém que a aceita com naturalidade o que é muito bom. Apetece-me gritar, rir, chorar, dançar, pintar, passear, comer aquelas misturas todas que comiamos as 5h da manha com o Dimmy e que provam que o meu estomago é de Ferro. lol
A verdade é que tudo se confundio em energias, positivas e negativas.
Pouco sei dos amigos algarvios, e menos sei dos amigos de IGE, e menos saberei em breve dos actuais das férias...e de certo só saberei de mim. Mas naquele momento naquela praia, com a luz da lua cheia reflectida naquele mar... Sabia de ti. Sabia do que cá dentro de mim continuamos a ser. Mesmo bem distantes. O medo já não é o mesmo quando me despeço de alguém como tu. Por que a vida sempre me trouxe melhor, independentemente se foi diferente ou se foi exactamente igual.
E hoje se chegar mais alguém para me separar de quem eu tenho eu não admito. E bato se for preciso.