Nitinha, sem ti esta nossa criação de peças não tinha sido o sucesso, valeu um 19 a OED!!!!!!!!
Personagens:
Mãe: Ana Gorjão
Filha (Sara): Teresa Calado
Acto Único
Cenário: Quarto desarrumado. Porta do lado direito, janela, tapete, mesas, candeeiro, cadeira, posteres, livros em cima da mesa e no chão, roupa e peluches espalhados pelo quarto, moldura com a foto da sara, diário, telemóvel, rádio, cd`s, velas, carta, cinzeiro, maço de tabaco, estojo dos lápis, revistas, almofadas, espelho, pantufas, despertador, cadernos, caneta e outros objectos femininos.
Cena I
Filha: (entra no quarto, passa a mão pela parede e não encontra o interruptor, depois descobre que esta do lado direito, mostra-se zangada e trás uma carta na mão) Do lado direito!Esta casa devia ser para canhotos! (irritada, procura o seu diário) Não encontro nada, nem um chinelo, nem um pente, nem o meu pobre diário! (Encontra o diário) Cá está! (Pega no diário, pousa-o na mesa, atira a mala e a carta para o chão e senta-se na cadeira com uma expressão triste e preocupada) Não percebo porque é que ele me deixou sozinha, (passa a mão pela barriga) não sou capaz do ter, mas também não sou capaz do abortar! (leva as mãos á cabeça) Que sofrimento! (vira-se e olha para o espelho) Olho-me ao espelho e parece que já o vejo! (volta-se para a mesa, abre o diário e começa a escrever) Só a ti me posso confessar, porque não me vais rejeitar, nem condenar!
E eu vou ter de he contar( levanta-se da Cadeira)...
Mãe: (no meio do quarto) Andas tão estranha
(estranhando o estado da filha), o que é que se passa?
Filha: Tenho uma coisa Para te contar!
Mãe: ( espantada) O quê Sara?
Filha: ( muito triste) Estou grávida do rui!
Mãe: o quê? Uma filha minha grávida? Não pode ser! (cada vez mais severa) Que vergonha!Os vizinhos vão comentar, já nem vou ter coragem dir ao cabeleireiro! (dá um estalo á filha) Sua estúpida!Já não és minha filha! Sai desta casa ou tira esse bébé indesejado (sara fica a chorar e a mãe desaparece)!
Filha: Este aqui tanto calor! (corre para abrir a janela de forma desesperada) E agora tanto frio! (fecha rapidamente a janela) Que sofrimento! (senta-se na cadeira muito nervosa) O que é que eu faço? Tudo podia ser tão fácil (levanta-se da cadeira)...
Mãe: (no meio do quarto) Então Sarita, não vens jantar? Já está pronto!
Filha: Não tenho vontade...
Mãe: (abraçando a filha carinhosamente) Oh filha, tu sabes que podes contar com a mãe para tudo! Vai ser bem vindo (afasta-se da filha) e o pai?
Filha: O Rui não quer (tristeza)...
Mãe: Não faz mal amor, também me aconteceu o mesmo com a tua irmã!
Filha: (de um lado para o outro mostrando-se desnorteada) A tua irmã não ia fazer isso! A Mônica é boa aluna! A Mônica é ajuizada! Já estou a ver!Mais uma vez a filha má é uma pervertida (senta-se na cadeira e acende o rádio)!
Mãe: (bate a porta, entra e repara no estado da filha) Andas tão estranha o que é que se passa?
Filha: Nada, nada! (levanta-se da cadeira muito apressada) tenho dir ter com a malta ao papa (pega no telemóvel e sai esquecendo-se do diário aberto em cima da mesa)!
Mãe; (olha para a desarrumação do quarto e faz cara de desconsolada, desliga o rádio, aproxima-se da mesa, arruma os papeis e intrigada lê o diário) Oh, meu Deus (desmaia)!
FIM
RESUMO DO PROCESSO:
O nosso projecto teve como ponto de partida: os problemas da juventude de hoje, mais propriamente a questão que se coloca a muitas jovens: o que fazer perante uma gravidez que não se planeou? Está provado pelas estatísticas que muitas vezes as raparigas não utilizam correctamente, ou não utilizam de todo, os métodos contraceptivos apesar de os conhecerem. Esta peça é a história de uma jovem que tem problemas de comunicação com a família e um namorado que não a apoia ao saber que ela está grávida. Sara sofre devido ao grande sentimento de culpa, e imagina as possíveis hipóteses da reação da mãe ao descobrir o que se passa com a filha. No final, sara acaba por não conseguir contar a verdade devido ao seu medo e à fraca personalidade. Esta peça deixa a mensagem de que quanto mais cedo se contar a verdade, melhor! Uma vez que o segredo pode levar não só a que o sentimento de culpa aumente como também a outros desastres, neste caso a mãe teve um choque muito grande.
Na interpretação houve a dificuldade na parte de criar a imaginação de Sara, foi ultrapassada com a ideia de que no último diálogo entre mãe e filha, a mãe bate à porta e entra no quarto o que revela que só nesse momento é que o diálogo é real.
Resolvemos utilizar diálogo de maneira a que a peça parecesse mais real e a as expressões corporais para exprimir os sentimentos das personagens, principalmente de sara que vive uma grande incerteza.
Quanto á música “My friend” de Groove Armada,esta serve apenas para mostrar que Sara resolve ir ter com as amigas.
Junho de 2002

