30.6.05

Fica na tua conta...

Tu encontraste a minha felicidade,
Tu trocaste a telas que havia na parede...

Onde eu estava era Natal,
E eu dormia na amizade do sempre.

Quem somos nós agora?

Eu numa ilha deserta,
sinto o mar chegar.

Tu numa discoteca apiada,
Preferes te drogar.

"Ai amor, doi-me tanto,
ai amor, é um tortura perder-te!!!"

Este blog tá ao abandono, tou com uma paz de espírito inexplicável, passou por mim uma energia positiva. Não tenho vontade de chorar. E não tenho nada para sorrir. Mas tenho observado, algo que tenho deixado de fazer. Concentrei-me demasiado em mim.

Talvez pelas cenas ilariantes que me aconteceram hoje, desde a mulher gorda que se senta no lugar do bernas,lol. Até ao senhor piela!!! E depois a bebida contaminada...

A vida continua, essa é que é a verdade.

Não sou eu que me vou arrepender. Agora não sou mais eu.

Teresa Raquel, 2oo5

20.6.05

Janela do Quarto Laranja

Calor. Sinto o calor, abro a janela. Que bela noite de lua cheia, as pessoas também devem sentir o calor, mas por estarem envolvidas em acontecimentos não se apercebem. Mas eu não. Oiço uns putos a rir , pegaram na esferovit das obras e começaram a degladiar-se com os pedaços. Já estão a fazer merda pensei... Até que um diz: fodasse pah, esta merda cheira mal como o caraças! Vi-os irem-se embora para casa lavar as mãos. Parece que os cães do bairro vão lá mijar...
Agora em ardor, este calor faz-se sentir cada vez mais. Um calor que chama por mim e me diz: "SOFRE". E eu sofro. Vejo passar o rapaz do cão, ele acena-me como se aquele olá nos pudesse unir, talvez ele também esteja a sentir este calor. É um calor muito por dentro, sem suor exterior, é um fogo.E cão mija na esferovit. E ele ri. E eu riu-me. Chega um casal num carro, é branco, parecem ainda ter muito para conversar, não se abreviam em abraços. O rapaz do cão vê. E suspira. Eu suspiro.
Para eles estará mais calor?
Sentam-se duas raparigas num vão de escadas. Conversam sobre a vida. Uma delas gesticula tentando animar outra que está a chorar.O cão continua a marcar território. Depois vai ter com as raparigas. O rapaz segue o cão. Pede desculpa às raparigas. A rapariga pára de chorar. Vejo o rapaz tirar o telemóvel. Atende. A rapariga retorna a chorar e a amiga começa também a chorar.
Dentro do carro, a rapariga senta-se entre o volante e o rapaz, beijam-se, loucos. Passa uma senhora de meia idade com um saco de comprar e abana a cabeça "esta juventude...". Termina o telefonema. A rapariga sai do carro, o seu companheiro acelera com velocidade. A rapariga ignora o rapaz do cão, o choro, a mulher já entrada, ignora-me. O rapaz do cão chama-me: Teresa!!!Vem cá a baixo!
Desço de chinelas, calsas largas, t-xirt, cabelo meio ondelado... Como sabes o meu nome?
Li-o numa ponte ( na minha cabeça: "alguém escreveu o teu nome em toda a parte...")! Numa ponte onde o Sol te sega e não ves nada à frente? O futuro... Tão incerto.
O cão fareja todos os meus recantos, sinto-me aceite. Quem és?
Aquele que tem visto tudo, e tu sabes... Vi muitos homens e uma só mulher. Vi momentos em que te rias com conversas prelongadas. Vi-te chorar pelo amor que no teu peito sufocavas. Vi-te desejar que não te viessem cá bater. Vi-te do meu parapeito.
Mirás-te tudo este tempo todo. Percebi quem amas.
Quem amo?
Pensa em quem te fez mais feliz...
Eu penso, penso... há muito tempo?
Eu pensava que era feliz nos braços de quem me amava a mim. Quem chorou por mim. Foi tudo o que idealizei. Não estava ninguém nos carros, só a minha imaginação que voava. Eu sabia que cometia erros, eu pensava que podia fechara porta e não mais olhar para trás. Tinha conquistado o mundo. Os verdadeiros amigos. Sinto o calor... Sentes?
Senti, muito calor quando olhava para ti, e te via mirrar, e te via perder as expressões com que te vi chegar. Chegas-te com o teu belo sorriso, trazias a força de sempre, que ia ser tudo novo, sem medo de perder o passado, tu sentias que tinhas tudo, que avida te deu tudo.
Deu-me muito mais agora. Que me conheci melhor do que nunca, que me perdi, perdi quem me amava...
Onde estamos nós agora?Espera não pode ser...
Passa uma criança rindo, correndo. Passando entre as mãos dos pais e correndo mais à frente. As mãos separam-se.Quando olha para trás, eles já não estão. Chora. Eu choro tembém, e o rapaz do cão também. Solidão? Sim, ela foi demasiado anciosa e correu à frente dos acontecimentos, resumiu o presente para chegar ao futuro. Sonhou sempre com o amanhâ sem aproveitar o dia. Solidão? Sim, ela tem medo da solidão.Mas não foi toda a vida dela isso mesmo, a solidão? Quem será de futuro? Alguém que pensou de mais na vida! Será uma pessoa triste, e tu sabes... Aqui não está calor... está frio, mas este "dejá vu" está errado, estava calor, eu sei que estava!!! Não estava, não estava calor, tu é imaginaste que estava calor. Estava frio, o farolinho tinha frio...Lembraste Teresa?
Não chores. Podes viver agora. Sente agora este abraço. Não está mais calor! Que fresco que está. Estamos mortos?

É isto que me acontece quando abro a janela para arrefecer os meus sentimentos...

1.6.05

Lembro-me quando o meu pai tocava viola, lá na sala...
E eu cantava...

Quando ele me encinava quais eram as estrelas no farol...
E eu sonhava...

Só já não me lembro de mais nada porque já passaram muitos anos.

O tempo faz-nos esquecer tanto.

Sei que muita gente lê este blog para matar saudades de mim, para saber o que se passa porque tomaram isto como um diário da mh vida. Agora eu pergunto: acham que se fosse assim... eu abria-o a tanta gente?

Acham que a minha vida é assim tão linear? Que se resume ao que aqui escrevi?

Há pessoas que já começam a reparar que emagreci 10 kilos...

O que mais poderá fazer uma pessoa emagrecer tanto?

"sou mt por dentro".

Teresa Raquel,2005