27.3.05

Hoje nada mais.




Saudade do meu amor,
Nesses jardins em que me perdi,
Nesses recantos, o teu calor
Que um dia conheci.
Hoje nada mais ficou,
Hoje nada mais.

Saudade dos amigos imortais,
Que no penhasco da vida
Se detiveram no cais,
a acenar a minha partida.
Hoje nada mais ficou,
Hoje nada mais.

Saudade do Farol ao fim da tarde,
Que deixei entregue ao mar salgado,
Que o proteja e guarde
No baú do passado.
Hoje nada mais ficou,
Hoje nada mais.



Teresa Raquel,2005

22.3.05

Pastor

Ai que ninguém volta
ao que já deixou
ninguém larga a grande roda
ninguém sabe onde é que andou

Ai que ninguém lembra
nem o que sonhou
e aquele menino canta
a cantiga do pastor

Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
deixa a alma de vigia

Ao largo
ainda arde
a barca
da fantasia
e o meu sonho acaba tarde
acordar é que eu não queria

Madredeus

Corcovado

Um cantinho, um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê se o Corcovado
O Redentor, que lindo
Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente desse mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade, meu amor
Um cantinho, um violão
Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê se o Corcovado
O Redentor, que lindo
Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente desse mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade
O que é felicidade
O que é felicidade,
meu amor.

Tom Jobim

21.3.05

Paz

20.3.05

Já dizia a minha mãezinha!

Recebi um mail...tantra...(fizeram-me acreditar que sim!!!) que dizia uma cena, que eu já à muito andava a meditar: "Casa-te com alguém que goste de conversar. Quando envelheceres, a habilidade no conversar será mais importante que quarquer outra coisa.". Daí eu falar nos tais 15 minutos, porque imaginem, se no inicio de um relacionamento não tem o que falar, não sabem o que dizer, tem conversas interditas e por aí adiante...imaginem como será na velhice. Depois há também uma segunda opção que me parece ainda melhor: não se casem! Assim, evitam pagar o divórsio. Sim, porque a maior parte das pessoas não se aguenta muito tempo a viver na sob o mesmo tecto. Digo isto por experiência própria...

18.3.05

Quando eu tinha 16 anos...

Querido Tiago,

Mais uma vez vou escrever angústias, vou chorar...se escrevo é pk os que me rodeio não são suficientes para me ouvir.esta noite, nesta cama ranjenta...cá estou eu outra vez.sempre estive só, sempre desenhei para o esquecer, gostei do teatro, pk podia fugir de mim...sou mesmo fraca.E agora o meu prblema chama-se Tiago ou Sexo, ou melhor Sexo com o Tiago.Eu amo o tiago, ainda hj lhe mandei uma msg no masterplan. Não sei viver sem ele.Mas eu não queria ir para a cama com ele, tão cedo. E não tenho ninguém para desabafar.Porque é que eu lhe faço smp as vontadinhas todas??Eu que nunca lhe disse sim, que queria andar com ele.

4 de Abril 2002

Escrevo apenas para dizer que fui traida, e o sono não chega.Nunca pensei que isto pudesse acontecer!O tiago mentiu-se oito meses depois.Nada é aquilo que parece, e neste momento já não acredito em paixões eternas. Aposto que a puta da Manuela( de quem eu já desconfiava) disse ao Tiago que não havia mal nenhum...parece que estou a vê-los, doi.Enquanto eu andava em Praga à procura duma cena fixe para ele, ele tava com outra.Ele diz que me traiu pk tb já foi traido.Tão ali umas flores na jarra como pedido de desculpas...com tantas namoradas, a única traída fui eu. Logo eu.

14 de Abril 2002

Passado tanto tempo, estas "merdas" ainda mexem cmg.

Teresa Raquel.

17.3.05

O tal namorado...

O tal namorado que está disponível quando precisamos, e não quando não tem mais nada para fazer; que está do nosso lado e não do lado das nossas amigas; que telefona as 4 da manhã para nos dar moral ( + do que 5 minutos...); que se apercebe através de um olhar que algo está errado; que nos leva a qualquer lugar desconhecido ( tem iniciativa qb); que não anda com outras ao colo; que respeita o nosso espaço; que tem noção de que há fases e fases para o sexo; que se esforce por gostar minimamente por aquilo que nós gostamos; que não fique em silêncio mais de 15 minutos ( desculpem, mas eu já passei por 3 horas de silêncio...não, não era mudo,lol.); que faz surpresas, mas que não sejam do tipo aparecer numa festa de gajas sem ser convidado...; que nos conte o que faz na vidinha dele sem termos de fazer um interrogatório; que não estejam smp a olhar para as loiras que passam qd estão ao nosso lado( que façam isso com os amigos!); que não minta muito e que não omita muito tb; que te acompanhe até casa dp de sairem... Vá agora, pessam aos vossos gajos que consigam mater isto mais do que os primeiros 15 dias de relacionamento, ELES NÃO VÃO CONSEGUIR! Pk? Porque o "tal namorado" não existe...

Já agora queria dar uns conselhos básicos para as gajas:
1. Não tentem cuscuvelhar os tlm, mails,carteiras até mesmo os hi5 dos vossos namorados.
2. Não queiram saber das ex.
3. Não apareçam no trabalho, casa, ginásio ( seja o que for dele) sem avisar.

Dp não digam que não vos avisei...!!!

16.3.05

O Homem da Gravata Preta (cap 3)

Deparei-me com um aglomerado á entrada da empresa, fiquei assustada…o que se teria passado? Estava lá a polícia, o local estava vedado. Fui me chegando, passo a passo até os vociferes, que saíam de bocas agitadas, começarem a ser-me perceptíveis. “Era uma boa mulher”; “ Qualquer dia sou eu!”; “ Querem matar-nos a todas…”. Aproximei-me demasiado, por um momento olharam-me de alto abaixo e depois continuaram os praguejes…
Sílvia, a minha colega de gabinete aparecera morta.
Dia livre, mas não um dia livre qualquer, um dia com o peso da morte, da perda. Estava lá há dois dias, era estranho, conhecia pouco da rapariga, não chorei, mas fiquei com pena, com aquele sabor a vazio na garganta. Para onde iria agora? Nestas alturas é que eu sinto saudades daqueles com quem podia desabafar! Com quem podia passear horas a fio, perdida por lugares conhecidos mas naqueles dias totalmente misteriosos por desconhecer o futuro das circunstâncias. Saudade é o que fica, mas a escolha foi minha.
Fui andado, fui me arrastando para um lugar qualquer. Fui ao Castelo, ver a cidade, como estava bela, movimentada, cheia de vida, nada parou porque tu morreste Sílvia. Deviam parar, pelo menos um minuto, deviam pesar comigo…mas não. Cada um na sua vidinha, sei que daqui vejo os meus amigos, a minha família que deixei para trás, mas eles nem sonham que daqui os posso ver a todos nas suas aventuras, mesmo que se tornem pequenas partículas deste meu mundo.
O vento faz-se soprar, olho para os lados para saber se não passa aqui ninguém meu conhecido, e não passa. Gosto desta paisagem, porque nos podemos perder com infinitas particularidades sempre novas, que me fazem esquecer a vida pela força como enchem a minha cabeça de ideias, de cores e cheiros…
Já era quase noite, não fiquei para ver o pôr-do-sol, nunca gostei muito… apanhei um eléctrico em hora de ponta não sei o que me deu, mas senti vontade. E fui, revi todos aqueles caminhos que percorri tantas vezes da casa dos meus avós até à baixa, que tantas vezes parei para tirar umas fotos a estrangeiros, para comer um gelado, para conversar com amigos que encontrava pelo caminho, para ajudar uma velhota carregada de sacos… enfim, uma vida. Caminho que tantas vezes pisei, agora cada pedrinha doía só de olhar.
Ao abrir a porta de casa, deparei-me com um papel que dizia: “ já sei onde moras, quando me deixas entrar na tua vida?” Ass: Homem da Gravata Preta. Joguei no lixo, com certa indiferença e fui tomar banho de imersão. Estava cansada de subir aquelas ruas estreitas e antigas. Quando me ia deitar, lembrei que a Sílvia tinha aceitado o convite do meu chefe.

13.3.05

O Homem da Gravata Preta (cap 2)

“Tem aqui, uma casinha muito jeitosa…” disse como que fazendo tempo e sentou-se sem cortesias no sofá. Deve se ter apercebido do meu estado atrapalhado e continuou sem me dar tempo para respirar uma solução mais apelativa “…curioso morarmos na mesma rua”. E nesse momento lembrei-me do quanto as coincidências premeditadas me causavam alergia e disse “ mais curioso é estar aqui sentado na minha casinha jeitosa…”, riu-se “ via-a entrar, seria falta de educação fingir a sua ausência”. Levantou-se piscando o olho e saiu.
Acabei de o convidar a retirar-se, pensei. Saí para ver se ainda lhe apanhava o rasto, mas não. Tinha sumido da mesma forma como apareceu. Fechei a porta e fui dar um passeio para esquecer o quanto fria me tornei, a quem me tenta vender a sua ingenuidade.
Um novo dia, o homem de fato não passou hoje á hora do costume, senti-me desfraldada. Hoje as pessoas parecem máquinas perseguindo regras, aceitando normas sem se interrogarem sobre o seu porquê. O céu estava cinzento, parece que vai chover. Quando o Verão acaba, arrastam-se depressões até à Primavera. Uma criança, olhou para mim pela janela dum carro, e acenou. Não resisti e acenei em resposta. Devemos despedirmo-nos sempre de quem nos oferece a despedida. Quando parti, ninguém acreditou que estava mesmo a partir, nem eu mesma. Muitas vezes partir, não é sinal de não ficar, pode-se partir e ficar. Basta apenas mudar o que fica de nós por lá, onde estamos.
Para todos os efeitos eu parti.
Quando cheguei, sussurram-me a novidade ao ouvido “ o director está apaixonado…”, “ Porque é que as pessoas não tem vida própria?”, “ …por uma loira! Veja lá…”. O Elevador fechou-se e fui sozinha até ao nono andar, olhei para o espelho “ os homens preferem as loiras…”.
Fiz o que tinha fazer por ali, despachei demasiado cedo o que os outros fazem numa semana, só porque não fiz as pausas para o cafezinho. Estava sentada naquele cadeirão de pele, ele franzia os olhos espantado com tanta competência, e abreviou: “hoje tenho uma festa de família, não me podia acompanhar?”. Eu? Se eu quisesse subir a escada da vida, talvez. Acenei um não “ Já tenho coisas combinadas para hoje”.
Dia seguinte, “ o chefe chegou tarde hoje…”. Ele improvisou: o trânsito. E ao virar as costas, a minha colega comentou à boca fechada que provavelmente passou a noite com a loira e seguiu-o até ao gabinete. Quando voltou, sorrindo, “nem sabes convidou-me para ir a um jantar de família”.

11.3.05

O Homem da Gravata Preta (cap 1)

Arregacei a cortina, a cidade parecia não querer acordar, mas o sol já se queria fazer ver. Empoleirei-me na varanda para observar quem descia a rua num passo apressado,
Um homem de fato preto, em passo apressado entrava na leitaria e saia de lá passados uns três minutos com um croissant na mão e com o mesmo andamento fugidio. É assim Lisboa moderna, uma correria…
A vizinha da frente apercebe-se do meu vulto já quase a fechar a janela e tenta fazer-se parecer, para meter conversa sobre a vida alheia. Mas hoje não lhe dou tempo para o seu estado de nada fazer, aceno apenas em tom de despedida.
Consegui o meu primeiro emprego, numa empresa de renome, sinto uma certa ansiedade por saber o que me espera, mas respiro fundo para não me levar pelo stress. Desço a rua, gosto deste lugar que parece ser meu, talvez por ninguém saber onde estou. Pensam que estou no estrangeiro…afinal a colecção de postais sempre teve utilidade. Sempre quis sentir-me só, talvez por ser uma entre muitos que não sabe lidar coma solidão muito bem E cá estou eu, a apanhar o meu primeiro de muitos transportes. Entro neste vazio apertado incolor, consigo ainda um lugar a janela, por ser das primeiras paragens… Gosto desta lentidão, creio que sou sempre um visitante desta passagem pela cidade velha, tudo parece novo, nunca sabemos quem irá entrar na paragem seguinte, nunca sabemos para onde vão os que ao nosso lado se sentam, até mesmo os que adormecem. Ficaram até ao fim da carreira?
Entrei, transportando todos os sonhos que levamos para algo recente, a esperança que seja melhor do que imaginamos. Estou a ser observada até ao ínfimo do meu ser pelos meus colegas, mas finjo não dar conta e quando fecho a porta do director começam os cochichos habituais. Quando saí sentei-me na mesa do bar para beber um café, e uma mulher já bem entrada virou-se para outra e disse em tom de quem quer ser ouvida: “Tem mania que é superior, só porque vai mandar na gente, ela que nem pense, porque nós já cá estamos à mais tempo”. Pego no café, pouso-o na mesa das ditas, e puxo uma cadeira… E entoou a língua delas: “ Então se estão cá há mais tempo são uma mais valia para mim, porque me vão ajudar imenso. Desconheço a história desta companhia, gostava que me contassem um pouco mais…” Sentiram-se úteis e foi o começo de uma amizade. Começaram a por nabos na púcara, dei-lhes a atenção, mas não, não lhes dei a minha opinião sobre nada que me pudesse comprometer.
A tarde, de regresso a casa, sentei-me no mesmo banco do costume e travei uma breve conversa com o senhor da jaqueta verde, um velhote já meio ensurdecido do tempo… tinha sempre uma palavra a dizer, mesmo que repetida pela falta de memória. No final apontou para a leitaria. Fui, havia um bilhete para mim que dizia: “Á mesma hora nos cruzamos todo o dia, conhecer-te seria para mim, uma alegria.” assinado: homem da gravata preta. Sorri, e Amílcar, empregado de meia idade, cuja a barriga o impedia de retirar as guloseimas da prateleira expôs com afinco a sua questão: “ vamos ter romance?” Eu simplesmente franzi, as sobrancelhas. Sorri, mas agora maliciosamente e saí.
A fechadura anda perra, devia estar cá o meu avó para concertas todos estes defeitos… a esta hora a minha mãe diria algo do género: “ Estragas sempre tudo, eu tive uma máquina de lavar que durou uma vida”. Para ela, as novas tecnologias não devem ser percebidas até passarem a ser necessariamente obrigatórias, para mim são as “intocáveis e duradouras tecnologias”, razão pela qual a solidão abarca os seus desconhecedores.
Parei para descansar a vida nos pensamentos, resolvi passar os olhos pelos álbuns d fotos, esses, que tem sido mesmo bem estimados. Toca a campainha, o meu director! Encosto-me a porta, “estou desgraçada”, pensei…abri a porta após a primeira hesitação e ficamos os dois perplexos… “ Quer entrar?” Entrou, bisbilhotando cada canto.
(continua)

Teresa Raquel,2005

9.3.05

Não estou bem aqui.

Tropecei na música, que já conhecia de longa data, e identifiquei-me...

"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
para não chegar tarde
Não sei do que é que eu fujo...
Será desta solidão?
Mas porque é que eu me recuso
A quem quer dar-me a mão?

Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só...
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi!

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
A vontade de partir
Para outro lugar...

Vou continuar a procurar
O meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só...
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
aonde não vou
Porque eu só estou bem
aonde eu não estou!

Não estou bem...
Não estou bem..."

Donna Maria

8.3.05

Diz que disse...

Entro no Antro, já com os nervos à flor da pele, vejo quem não quero, sinto a agonia no corpo. Sei da verdade, mas finjo estar demasiado enganada para agir, quando de facto desejo cortar o mal pela raiz. Grito aos quatro ventos a injustiça, mas ninguém me ouve, uns preferem não perceber, outros batem-me nas costas, como se a poeira voasse, e eu não me conformo. Não me conformo com invejas, intrigas... Eu não estou triste, estou descontente por me sentir numa teia de aranha, sinto as pernas presas, os braços presos, e vejo a aranha que me quer comer. Devagar poisam-se por lá outras vitimas, mas eu sou a potêncial rival. E cá vai, de animo leve como quem não quer a coisa, dizer um upss... foi o "disse que disse, mas não devia ter dito", é assim que a aranha me enrola, me suga e dá ar de ser ela a xupada, e engana aqueles que ainda pode enganar.
Já dizia a minha kida Stora Rita: "vejam as linhas com que se cozem"! Andei a cozer mal o bordado, verdade seja dita que nunca tive jeito para o ponto cruz...
Sinto-me traída. Perdida. Se nos meus olhos, conseguissem ler mais que a sinceridade viam-me a mim, Alice, perdida no país das maravilhas. Já sei dum gato... e dum coelho fornicador, duma rainha de copas...essa que me quer mal.


Dias passam, tudo passa...e tudo perde a graça.

NÃO ESQUECER: Não confier em todas as pessoas!!!!!!!!!!!!!!!

frase do dia: "Quem tá mal, muda-se!" (Tiago R.)